segunda-feira, 8 de junho de 2009
domingo, 28 de dezembro de 2008
PODE PARECER QUE É.
Pior, Capaz Que Seja!
As pessoas ao se sentirem ofendidas por palavras ou atos, reagem de diferentes maneiras em defesa da reputação e da dignidade eventualmente maculadas. Uns esbravejam inconformados, porém, sem contra-argumentos, se resumem às bravatas e aos impropérios. Outros, no entanto, ao invés de refutar as ofensas com base em argumentos sólidos, simplesmente as revidam com agressões ao ofensor, muitas vezes física. Finalmente, restam os que solicitam amparo da justiça no resgate de suas pretensas perdas morais.
¿Quantos haverá que, antes de reagirem, conheçam o significado exato de cada palavra proferida na ofensa ou entendam as premissas que originaram o ato insidioso?
É fato que há palavras que definem com exatidão o modo de pensar e agir das pessoas, porém, ao se tornarem vulgares pelo uso, são tidas como ofensivas por quem com elas são qualificados. É o caso da palavra mentiroso, adjetivo ou substantivo, conforme o uso atribuído no contexto da expressão, via de regra empregada como ofensa a alguém como tal qualificado ou definido.
Uma consulta ao “Dicionário Aurélio - Século XXI” de autoria do célebre Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, nos revela três acepções enquanto adjetivo, uma enquanto substantivo e a citação de um paradoxo:
mentiroso (ô). [De mentira + oso]
Adjetivo
• 1. Que mente
• 2. Oposto à verdade; falso.
• 3. Que não é o que parece ser; enganoso.
Substantivo Masculino [Plural: mentirosos (ó)]
• 4. Aquele que mente
Mentiroso (História da Filosofia)
• 1. Paradoxo atribuído a Eubúlides de Mileto (Sé. IV a.C.), cuja forma mais simples é: se alguém afirma “eu minto”, e o que diz é verdade, a afirmação é falsa; e se o que diz é falso, a afirmação é verdadeira e, por isso, novamente falsa, etc. Pode-se concluir ou que uma asserção é o mesmo tempo verdadeira e falsa, ou continuar indefinidamente por recorrência ora a concluir que é falsa ora que é verdadeira.
Como se vê, caso alguém nos dirija a palavra mentiroso, antes de uma reação precipitada, devemos intelectar em qual acepção está aplicada. Primeiramente se como adjetivo, ou como substantivo, e por último, senão no conceito do Paradoxo de Eubúlides. Percebido o senso e o contexto, proceda-se então à reação cabida.
Como na maioria dos idiomas, existem na língua Portuguesa palavras que expressam coletividade. Caterva, súcia, corja são exemplos de substantivos coletivos e que, por sinal, são sinônimos entre si. Recorrendo novamente ao “Dicionário Aurélio - Século XXI”: caterva (é) [Do latim caterva]
Substantivo Feminino
• 1. Multidão de pessoas, animais ou coisas.
• 2. (Antigo) Multidão de Tropas
• 3. Súcia, malta, corja.
No plano dos adágios escolhemos três para destacar:
• 1. “As exceções confirmam as regras”.
• 2. “Quem não quiser passar por urso que não lhe vista a pele”.
• 3. “Diga-me com quem andas e te direi quem és”.
Como exercício de raciocínio tomemos o seguinte conjunto de afirmações retiradas dos significados:
• 3.1. Que não é o que parece ser, enganoso;
• 1.2. Multidão de pessoas, animais ou coisas;
• 1.3. As exceções confirmam as regras;
• 2.4. Quem não quiser passar por urso que não lhe vista a pele.
• 3.5. Diga-me com quem andas e te direi quem és.
É público, notório e de conhecimento geral que a classe política no Brasil é uma (• 1.2.) (• 3.1.). Embora (• 1.3.), (• 2.4.), pois, a verdade é que (• 3.5.).
Substituindo as referências obteremos a seguinte frase:
É público, notório e de conhecimento geral que a classe política no Brasil é uma multidão de pessoas que não são o que parecem ser, enganosas. Embora as exceções confirmem as regras, quem não quiser passar por urso que não lhe vista a pele, pois, a verdade é que diga-me com quem andas e te direi quem és.
Como reagiriam os membros da classe política se fossem qualificados como integrantes de uma CORJA DE MENTIROSOS ?
As reações seriam diversas, mas, à todas poderíamos responder:
- Ora, Excelência, convenhamos que as exceções confirmam as regras, mas quem não quiser passar por urso que não lhe vista a pele. Lembre-se Sua Excelência do adágio que afirma: diga-me com quem andas e te direi quem és !
O. A. Siqueira Jr.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
ATÉ QUE...
“Mas só eu? Cadê os outros? “Lembra-se desse bordão humorístico que o macaco Sócrates dizia em um dos quadros do “Planeta dos Homens”?
Após tomarem assento no poder, os “defensores da moral e dos bons costumes” mostraram a verdadeira face. Demonstram capacidades de, fingimento; descaramento; oportunismo; despudor; falta de ética e; vergonha, inéditas na história do país. O Brasil transformado em uma mistura de “Cruz-Credo com Deus-Me-Livre” assiste inerte e passivo à súcia que campeia solerte e impune por onde corredores haja. Os mamparreiros aparelham os meios para seus fins escusos - tenhamos plena convicção - afim de se perpetuarem no poder a qualquer custo.
A história nos ensina e adverte, cabe a nós reconhecermos, ou não, os sinais que intuem a realidade futura. O poder seduz e vicia, portanto, alternância é palavra vaga e obscura para quem nele se instala através do conforto do voto popular. A desculpa de representar a vontade do povo é a ladainha que teremos que ouvir até que...
O. A. Siqueira Jr.
quinta-feira, 5 de julho de 2007
INVESTIGAR NÃO É ACUSAR
Hoje um confronto, entre o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) e o presidente do Congresso Nacional, foi travado no plenário do Senado Federal. Lá pelas tantas, o senador Renan Calheiros (PMDB-Al) voltou à antiga cantilena da imputação de culpa por acusações infundadas.
Se possível for, gostaria de informar à Sua Excelência, o senador Renan Calheiros, que ao que eu saiba, não há acusação formal alguma contra sua pessoa. Há, isto sim, indícios que motivaram um pedido de investigação ainda não levada a termo. Logo, até que provas sejam produzidas, provas estas capazes de sustentar uma acusação ao menos, a dúvida que Sua Excelência insiste em bradar: “- Não sei até hoje do que estou sendo acusado.”, não será respondida.
O que nos causa espanto é que se não há acusação formal é porque pouco ou nada foi feito até agora com os indícios comprometedores dados a público. E, diga-se de passagem, por falta de vontade de muitos e a complascência de todos, destarte os brados de alguns que destilam indignação mas são profundamente discretos quando se lhes reclamam ações efetivas.
Dizia bem Chico Anysio pela boca de um de seus personagens: - “O que importa é o ‘puder’. O povo? Eu quero que o povo se exploda.”
O. A. Siqueira Jr.
terça-feira, 5 de setembro de 2006
REFLEXÕES I
Tenho acompanhado com assiduidade, atenção e paciência o desfile de depoimentos de tantos “Delúbios” e “Valérios”, asseclas e quejandos, que semanalmente ascendem às Comissões Parlamentares Mistas de Inquérito instaladas no proscênio da crise política que acomete a República.
Por vezes, agredido pelas incongruências e oportunismos; injustiças e desfaçatezes; perjúros e dislogias, não consigo conter minha indignação diante da falta de competência com que são tratados assuntos de relevância e fatos que exorbitam impropriedade e omissão republicana. Nesses momentos - que não são poucos - ensaio a vontade de me manifestar e redijo um e-mail endereçado a algum parlamentar a propósito do arrepio que senti. Uns foram enviados outros não.
Um fato causa-me curiosidade. Nenhum dos e-mails enviados obteve, sequer, uma resposta automática, daquelas que nos asseguram que a mensagem foi ao menos recebida. Afinal, para que serve a publicação dos endereços eletrônicos juntamente com o nome e partido do parlamentar quando sua imagem é colocada no ar?
Tenho plena certeza que não seria o próprio parlamentar quem se encarregaria de elaborar e enviar qualquer resposta. Este trabalho, com toda certeza, é atribuição da assessoria de cada parlamentar e por ele responde em questões menores como as que coloquei. No mínimo, poderia um assessor encaminhar a questão ao plenário da Comissão para, a juízo do parlamentar, aproveitar algum aspecto relevante contido na mensagem. Mas...
Resolvi, então, publicar esses e-mails para que os leitores do “Que Bom Seria” tomem conhecimento e façam seus próprios juízos a respeito.
Enviado: terça-feira 12/7/2005 13:51h
Assunto: Esclarecimento
À Meritíssima Excelentíssima Juíza Deputada
DENISE FROSSARD
Ref.: Esclarecimento de dúvida

Meritíssima, Excelentíssima senhora,
Hoje pela manhã acompanhando pela TV Senado o depoimento do Sr. Antônio Osório M. Batista, ex-diretor da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, fui brindado novamente pela proficiência, objetividade e competência da argüição de Sua Excia.
Além de ser leigo em matéria de Direito, desconheço a prática de fluência dos contratos com o setor público celebrados por força de licitação e, assim sendo, recorro à Sua Excia. para obter um esclarecimento.
Durante a argüição, Sua Excia. afirmou que os aditivos assinados pelo depoente não atendiam ao disposto pela lei de licitações, configurando uma ilegalidade, dado não constar desses aditivos as causas supervenientes que lhe deram origem. Ao responder, o depoente afirmou basear-se em pareceres técnicos dos departamentos interessados [pareceres escritos?], em especial do parecer oferecido pelo departamento jurídico [parecer escrito?], a fim de convencer-se da procedência da causa superveniente alegada para o aditivo que viria a assinar.
Dada a resposta pelo Sr. Antônio Osório, em mim instalou-se uma dúvida:
A descrição e respectiva justificativa da causa superveniente devem constar na íntegra do texto do aditivo ou podem ser juntadas como documento anexo?
1. Na hipótese da obrigatoriedade de compor o texto, penso ser conveniente saber do depoente se ele teria por hábito ler a íntegra do aditivo ou ater-se simplesmente aos pareceres sem cotejar a anuência de ambos.
2. Caso não seja necessário que a descrição e justificativa da causa superveniente integrem o texto do aditivo, conveniente seria consultar tais pareceres, obviamente desde que escritos, objetivando constatar se corresponderiam efetivamente às necessidades da contratante, da contratada ou, de ambas vistas as circunstâncias alegadas. Ressalto, zeloso no entanto, em evitar qualquer acusação a quem quer que seja, a possibilidade da alteração ou substituição a posteriori desses referidos pareceres se escritos forem.
No aguardo do esclarecimento que Sua Excia. possa fazer para que eu forme minha opinião com respeito ao acima descrito, antecipo meus agradecimentos e reitero à Sua Excia. meu respeito e admiração.
Atenciosamente,
Oswaldo Alves de Siqueira Jr.
São Paulo - SP
Enviado: terça-feira 19/7/2005 12:49
Assunto: Que vergonha!

Meritíssima, Excelentíssima Senhora
Deputada Denise Frossard
Em nome da decência, da honra e da dignadade humanas, poderia eu como cidadão brasileiro esperar uma reação de indignação dos parlamentares presentes à CPMI, neste momento, 12:30h de 19.07.05?
Que sejam acessíveis ao depoente todos os direitos preconizados na Lei, no bom senso e no caráter cristão, embora o mesmo não ofereça a menor recíproca à tal condescendência. Se exiga, porém, que sejam respeitadas as inteligências daqueles que se dão ao trabalho cívico de acompanhar os trabalhos dessa CPMI.
Pelo respeito e admiração que sua pessoa me enseja e sua história pessoal reitera, suplico a interveniência de Sua Excelência.
Atenciosamente,
Oswaldo Alves de Siqueira Jr. [São Paulo – SP]
Enviado: quarta-feira 20/7/2005 13:37
Assunto: Eu também quero...

Estimada Senadora
Heloísa Helena
Já haverá Sua Excia. se dado conta que o depoente padece de dislogia. Dado ao fato, me permito esclarecer aquilo que o beócio, lançado aos leões pelos correligionários, não tem competência para.
As empresas do Sr. Marcos Valério Fernandes de Souza contrairam crédito no mercado financeiro na modalidade conhecida por antecipação garantida de recursos ou securitização de contratos de performance.
Em tais operações são estabelecidas as seguintes relações:
Mutuante: Banco Múltiplo via carteira comercial ou de investimento.
Mutuário: Empresa do Sr. Marcos Valério Fernandes de Souza
Garantia: Recebimentos por conta de serviços a prestar pelo Mutuário
Risco de 1a Ordem: A série histórica de adimplência em créditos anteriores, aliada à capacidade técnica para performar o contrato oferecido em garantia.
Risco de 2a Ordem: A capacidade de pagamento da empresa contratante da Mutuária quando esta performar o contrato de prestação de serviços.
Como se vê, o Partido dos Trabalhadores não está diretamente relacionado à formalização dos créditos levantados pelas empresas do Sr. Marcos Valério Fernandes de Souza.
Isto significa que:
a) Se não quizer pagar, o PT não deve nada desses referidos créditos, formalmente, a ninguém, seja banco, sejam empresas ou mesmo aos sócios das mesmas [?].
b) Em entrevista coletiva o presidente do PT, Senhor Tarso Genro, declarou que o partido não reconhece as citadas dívidas, pois não há contabilização correspondente assentada nos registros, e que não pagará os débitos decorrentes desses contratos espúrios.
c) O Sr. Marcos Valério Fernandes de Souza trata-se de um contumaz ingênuo e pérfido idiota, pois, alça créditos no montante aproximado de 40 milhões de reais sobre o patrimônio de suas empresas; transfere graciosamente tais recursos a um terceiro de boa fé ou à sua ordem[?]; sem qualquer garantia colateral; e deverá esperar até o final dos tempos pelo reembolso, visto que o dislógico Delúbio, não poderá ressarcí-los ao benemérito amigo.
Senadora Heloísa Helena, pergunto eu à Sua Excia.: -Estando desempregado há praticamente 10 anos*, embora, fale, escreva e intelecte a língua portuguesa muito melhor do que o energúmo licenciado em Matemática, teria alguma chance de obter um favor semelhante do Sr. Marcos Valério Fernandes de Souza, dando como garantia minha honra, minha dignidade e a minha firme intenção de reembolsá-lo tão logo comece a trabalhar?
Se puder, gostaria que Sua Excia. encaminhasse de público o meu pedido para que o senhor Delúbio Soares interviesse a meu favor junto ao ilustre, samaritano e prócer ilibado o Sr. Marcos Valério Fernandes de Souza.
Atenciosamente,
Oswaldo Alves de Siqueira Jr. São Paulo - SP
*Fui demitido em novembro de 1995, aos 49 anos de idade e, até hoje vivo de pequenas consultorias em finanças.
Enviado: quinta-feira 18/8/2005 21:38
Assunto: Sugestão
Excelentíssimos Senhores Senadores,
DELCÍDIO AMARAL GOMEZ e AMIR LANDO
Ilustres Presidentes das Comissões Parlamentares Mistas de Inquérito – “Correios” e “Compra de Votos” - respectivamente.
Faço da presente o instrumento para encaminhar sugestão no sentido de colaborar com os trabalhos das Comissões que Suas Excelências vêm presidindo com independência, equilíbrio, imparcialidade e inequívoca competência jurídico-regimental. A sugestão pretende em acréscimo estreitar as relações de representatividade entre parlamentares e cidadãos. Explico-me.
SUGESTÃO: Possibilitar a cidadãos que acompanham os trabalhos das Comissões a oportunidade de formular perguntas aos depoentes por intermédio dos parlamentares inquiridores.
MEIOS: Através de e-mails enviados a endereços específicos de cada Comissão. Assessores fariam a triagem necessária e encaminhariam as perguntas selecionadas à mesa e esta repassaria aleatoriamente aos parlamentares.
Outra hipótese de acesso seria pela criação de uma conta de e-mail subordinada ao endereço principal de cada parlamentar. Algo como delcidio.amaral_cpi_correios@senador.gov.br ou amir.lando_cpi_votos@senador.gov.br. Nessa hipótese, o cidadão que participa pode escolher o parlamentar a representá-lo com a pergunta. Como os parlamentares possuem NoteBooks, podem acessar suas caixas postais durante o decorrer das sessões em cada Comissão.
RAZÕES: Como assíduo espectador das transmissões das TV Senado, TV Câmara e Globo News me é dado perceber que, por força da lide em plenário, expressiva maioria de parlamentares se ausenta da sala de trabalhos durante os depoimentos. Em conseqüência, muitas perguntas, observações e questionamentos são repetidos exaustiva e improdutivamente. Por mais que as respectivas assessorias informem de maneira consentânea como fora o andamento dos trabalhos durante as ausências, a retomada de foco não se dá imediatamente e, por vezes, se nota que o parlamentar está em busca de nexo para articular a inquirição.
Outro aspecto fundamental penso eu, é que os espectadores interessados no acompanhamento das sessões, poderão colocar à disposição das Comissões suas respectivas expertises contraditando afirmações técnicas que, em muitas oportunidades, são enunciadas descuradamente pelos depoentes sem que os parlamentares percebam a improriedade. Exemplo: No primeiro depoimento do Sr. Delúbio Soares ele afirmou que o PT fizera uma operação de leasing no Banco do Brasil para a aquisição de computadores que equipariam as sedes do partido em todo o país. Declarou que os próprios computadores foram oferecidos em garantia.
O senador Álvaro Dias, em dia subseqüente à declaração, comentou a respeito do alto grau obsolência de equipamentos de informática, com a intenção de chamar a atenção para o fato da garantia da operação perder consistência em curto espaço de tempo, algo que colocaria sob suspeita o Banco do Brasil. No mesmo instante em que o Sr. Delúbio Soares pronunciou a impropriedade disse eu à minha mulher: - “Besteira. Nas operações de arrendamento mercantil o bem arrendado é propriedade da empresa arrendadora, que por contrato cede ao arrendatário a posse e o uso do bem. Assim, o arrendatário, no caso o PT, não poderia oferecer os computadores em garantia por não deter a propriedade dos mesmos.” Houvesse um canal aberto com a Comissão eu teria enviado imediatamente [e sabe-se lá quantos outros cidadãos mais o teriam feito...] um e-mail alertando para a descabida mentira enunciada. Poderia citar outras dezenas de casos semelhantes ocorridos em outros depoimentos.
A premência com que as perguntas devem ser enunciadas, devido ao tempo limitado para a inquirição que cabe a cada parlamentar, dificulta a percepção de certos detalhes nas respostas dadas, principalmente, se tais detalhes não forem pertinentes à formação acadêmica ou ao conhecimento prático do parlamentar que inquire. Exemplo: Há quanto tempo se fala, diariamente, a respeito dos empréstimos realizados pelas empresas do Sr. Marcos Valério?
Apenas hoje, durante a inquirição realizada pelo Senador Roberto Tourinho ao Sr. Delúbio Soares, ouvi a referência a operações “Back to Back” e operações “Clean”, ou sejam, “Carecas”, por não serem contempladas por garantias reais mas apenas fidejussórias.
Lá pelas tantas, o depoente respondeu ao deputado José Divino que não oferecera o Fundo Partidário do PT como garantia nos empréstimos porque os recursos seriam usados para pagamentos não contabilizados. E ninguém, absolutamente ninguém, se deu conta do que foi dito e fez qualquer observação.
CONCLUSÃO: Pelo exposto acredito haver procedência em minha sugestão e espero sinceramente que a mesma se viabilize rapidamente, se não nas formas acima colocadas, por outra qualquer que tenha a mesma velocidade e o mesmo caráter prático.
Manifestando meus agradecimentos pela atenção que hajam dispensado a esta mensagem, reitero meus respeitos e admiração pelo trabalho de Suas Excelências e subscrevo-me,
Atenciosamente,
Oswaldo Alves de Siqueira Jr. – São Paulo - SP
ARRE! ATÉ QUANDO ...?
Quando alguém abusa da paciência de um gaúcho ele se vale de uma expressão para externar sua indignação: "-Deu pra ti, tchê..."!
Uma espécie de alerta para que o interlocutor saiba que a paciência do gaúcho já “se encheu nas medidas”.
A insistência conspícua dos parlamentares do Partido dos Trabalhadores em contrapor as denúncias contra si com acusações aos opositores, além de ser uma técnica pobre em criatividade e competência, mostra-se inócua e irritante.
Durante entrevista à Radio CBN o líder do PT na Câmara, Henrique Fontoura - PT do Rio Grande do Sul - após ser argüido a respeito das investigações que a Polícia Federal procedia no caso “Francenildo”, declarou haver encaminhado ao Ministério Público um pedido de investigação da denúncia veiculada pelo jornal “Folha de São Paulo”, a propósito de favorecimentos com verbas publicitárias da “Nossa Caixa”, através dos quais, o governador de São Paulo obteria apoio de alguns deputados.
Primeiramente é de se perguntar:
• Se Geraldo Alckmin não fosse declarado há poucos dias o candidato do PSDB à presidência nas próximas eleições, estaria sendo denunciado e investigado pelo PT?
• Por outro lado, o PT não tem representação na Assembléia Legislativa de São Paulo?
Pelo que sei, os deputados federais representam os cidadãos do estado pelo qual são eleitos, enquanto os senadores respondem pelos interesses do estado da federação em que se elegeram.
• Ainda assim, sua excelência faz uso de suas prerrogativas de parlamentar gaúcho, para defender interesses dos cidadãos paulistas, ou em última instância, do estado de São Paulo? Que nobreza não? Ou será perda de foco? Ora, haja paciência!!!
Eufêmico, Delúbio Soares codnomina “Caixa 2” como “Recursos Não Contabilizados”. Mas é claro, pois crime contra a ordem tributária nacional para o PT é apenas uma prática comum de outros partidos, há muitos anos. Tenta grosseiramente insinuar que “tem o mesmo direito à pratica de feitos delituosos posto que outros já o fizeram”. Como adjetivar tal comportamento? Ridículo? Acintoso? Abjeto? ...?
Parlamentares que se locupletaram dos dinheiros “não contabilizados” fluídos por Marcos Valério e pela patranha engendrada na formação da base parlamentar do governo, escafedem-se das penas cabíveis, tanto no âmbito parlamentar, quanto no da justiça comum, se valendo de terceiros de duvidosa boa fé, quando não das próprias esposas. Após encenarem suas pantomimas comemoram o logro ao ritmo da insidiosa dança míope de Ângela Guadagnin, que insiste em pedir vistas daquilo que somente ela não enxerga. Ah sim, é regimental pedir vistas!!! Engraçado, usam tudo o que for regrado a seu favor e usurpam qualquer lei que se interponha aos seus interesses. Dialética conveniente, casuística e vil.
Aliás, o discurso petista, senão anacrônico, é no mínimo patético. Catilinária instilada pela conveniente abstinência de autoridade do Presidente da República, evidenciada no alegado desconhecimento de fatos tornados públicos, reitera uma prática que seria comparável às bravatas infantis como “meu pai é mais rico que o seu”; “minha mãe é mais bonita que a sua”. Nele o Brasil é tratado como “este país”, como fosse um “fulano” ou “sicrano” qualquer.
Ideli Salvatti, senadora por Santa Catarina, alçada à condição de líder do PT no Senado, persiste no tom da insinuação e não perde oportunidade para se dirigir à oposição com cinismo arrogante, deselegante, anti-regimental e obtuso. Para sua Excelência “o conjunto de políticas públicas levado a efeito pelo Partido dos Trabalhadores neste país” é inédito. Com efeito, o Presidente Lula e seu amado PT são os verdadeiros “descobridores” “deste país”, já que tudo o que se vê hoje jamais ocorreu ou foi visto anteriormente “neste país”.
Assistencialismo paternalista é apelidado de programa social. Cooptar a opinião e, conseqüentemente, os votos de pessoas simples – bato na boca para não dizer simplórias - dando peixes ao invés de ensinar a pescar, confirma a intenção neo-escravocrata.
Um regime econômico calcado no capitalismo há que se arrepiar diante de tantas “bolsas e programas sociais disto ou daquilo”. Se por um lado o capitalismo é o sistema econômico mais eficiente na geração de renda, é também, inequivocamente, o mais ineficiente na distribuição da renda gerada. Por que?
Porque a igualdade de oportunidades que deve predominar no regime capitalista é responsabilidade das ações de governo financiadas pelos tributos. Diante de oportunidades iguais, caberá a cada um prover e provar seu sucesso. Então, os detentores do capital estarão sempre provocando os agentes econômicos com o objetivo da obtenção do maior lucro possível. A distribuição eqüitativa da renda será responsável pela mobilidade entre os estamentos sociais. Nascer pobre não deve ser condição para morrer pobre, tampouco nascer abastado é garantia de riqueza vitalícia. Competição e concorrência são pilares do mercado.
A deformidade se instala quando há uma tentativa vã em trocar papéis pré-supostamente definidos no regime capitalista. Por ser praticado sob a égide de um estado democrático, permitirá vozes opositoras nem sempre lúcidas das verdadeiras regras do jogo.
A principal delas, por sinal, é o papel dos governos e da classe política no desenvolvimento e prática de um conjunto de políticas que amplie constantemente o ingresso dos cidadãos nos alvos de consumo. Um bom consumidor para chegar a auferir renda por meio de seu trabalho, requer um investimento expressivo e longevo, cujo início antecede ao próprio nascimento e nem sempre está ao alcance das famílias de origem.
Saúde preventiva, reparadora e curativa; saneamento básico; segurança, educação moral, social e cívica; instrução formadora, instrução profissionalizante, experiências em cultura autóctone e alóctone, entre outros, posicionam o cidadão no conjunto da sociedade, para que conheça, para que valorize suas prerrogativas e direitos. São requisitos sine qua non para a formação de um consumidor preparado e consciente. Assim, estará apto a exigir produtos e serviços compatíveis com seu conhecimento e com seu poder aquisitivo. Esta é a motriz que retroalimenta o regime capitalista: consumo consciente, ainda que supérfluo!
Consumo gera tributo, que canalizado nas ações de governo garantirá o incremento e renovação do mercado consumidor. Este, à medida que cresce, gera novas necessidades para que o reinvestimento de capitais crie produtos e serviços capazes de atendê-las.
Já é esgotado o tempo para que os oligárquicos petistas percebam que a ditadura do proletariado e a estatização dos meios de produção não harmonizam com os preceitos democráticos e muito menos com os cânones capitalistas. Não será através da subversão de conceitos e distorsão de princípios, invertendo a lógica maniqueísta ao atribuir a outrem aquilo que praticam, que irão prover o decantado bem do povo, povo esse que pensou ser por eles representado em seus interesses e que nas próximas eleições haverá de dizer com todas as letras como faria um autêntico gaúcho:
- “Bah PT. Deu pra ti...!”
O. A. Siqueira Jr.
UMA TURMA INTEIRA DE "TAVARES"
Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho, ator, compositor, escritor, pintor e, para muitos, o maior humorista que o Brasil revelou, nasceu em Maranguape no Ceará de onde partiu para expressar uma insólita sensibilidade moldada em genial competência nas artes.
Retirados do cotidiano nacional, os inúmeros personagens que criou fizeram parte do convívio de pessoas de todas as classes sociais brasileiras por mais de uma geração. Cada um deles era reconhecido por um bordão que foi repetido pela boca do povo, sempre e quando uma situação peculiar lembrasse o comportamento do tipo que o personagem encarnava.
Uma dessas caricaturas era moldada na figura de um carioca, assim reconhecida pelo acentuado sotaque, ostentando uma farta cabeleira “englostorada” fazendo par com um bigode igualzinho ao do “Amigo da Onça”. Óculos escuros e paletó xadrez rematavam a caracterização. A humanização revelava um malandro embriagado que, ostentando permanentemente um copo com gelo e whisky, contracenava com a saudosa Zezé Macedo no papel de uma donzela um tanto avançada nos anos, filha de pai rico, a quem ele tratava por “Biscoito”.
Inocente e desprovida de qualquer beleza física, “Biscoito” era apaixonada por seu noivo e a despeito de todas as “enganações” a que era submetida, aceitava tudo com resignação para não correr o risco de perder seu amado, a quem atribuía incondicional fidelidade e honestidade acima de tudo. Ao final da encenação de cada quadro, “Biscoito” ao ser contrariada em alguma vontade, agia como garotinha mimada e desfiava um rosário de impropérios ao insensível consorte. Este, debochando um sorriso irônico e arrastando o embriagado sotaque, meneava o copo tilintando os cubos de gelo quando então se virava para o olho da câmera e decretava seu bordão:
- “Certo Biscoito! Sou, mas, ... quem não é?”
Esse era o Tavares que nos fez rir muitas noites de quintas-feiras ocasião em que ia ao ar o programa “Chico Anysio Show”.
Apesar de não mais alegrar as noites de quintas-feiras Tavares é redivivo, e mais, clonado em múltiplos exemplares. Uma verdadeira “Turma de Tavares” assume a cena nacional. A nós, povo brasileiro, sem que para tal fôssemos consultados, cabe o desditoso papel de “Biscoitos”.
Frustrados na esperança de ver o Brasil amadurecer no convívio pautado pelos valores morais e éticos, fiel às instituições democráticas conquistadas, singrando as águas do Estado de Direito, somos relegados ao papel bufo de ingênuos explorados. E tal e qual “Biscoitos”, ao nos rebelarmos pelo não atendimento de nossas vontades republicanas, ouvimos os “Tavares” escorcharem nossos sonhos e decretarem seu pífio bordão: - Sou, mas, ... quem não é? Posta a analogia, cínica e talvez inapropriada diante da gravidade dos fatos, hora se faz de reagir.
Armas intelectuais se assestadas contra o desmando a desonra e a ignomínia pouco efeito produzem. Por outro lado, a truculência desabona a sensatez e recalcitra o dissenso. Inquirir o passado em nada contribui para a construção do futuro, prova está no status quo que nos moveu para a atual digressão.
“Sim fiz, porém, outrem já o fizera”. Esta é a justificativa do medíocre, do opróbrio, do abjeto. Escudar-se em discursos inflamados no combustível do ódio é próprio dos desajustados que baseiam sua razão na incoerência.Que fazer então?
Sabe-se lá! Instalou-se no país uma crise de autoridade. Sim, uma crise de autoridade visto que não há vazio de poder. O poder está constitucional e legalmente instalado e atuante nas suas diferentes instâncias, apesar da conveniente abstinência de autoridade do Presidente da República.
Eleições? Quem sabe, o “mensalão dos programas sociais” não haja sido suficiente para corromper o discortínio dos simples e dos simplórios cidadãos brasileiros? Quem sabe não se auto reconhecerão vitímas dessa indencente bazófia protagonizada na cena política brasileira e ao se lhes oportunizar as urnas saibam honrar sua origem simples sempre pautada na dignidade e retidão de comportamento?
Com a ajuda de Deus nos resta dizer: - Que assim seja!
O. A. Siqueira Jr.


