Quando alguém abusa da paciência de um gaúcho ele se vale de uma expressão para externar sua indignação: "-Deu pra ti, tchê..."!
Uma espécie de alerta para que o interlocutor saiba que a paciência do gaúcho já “se encheu nas medidas”.
A insistência conspícua dos parlamentares do Partido dos Trabalhadores em contrapor as denúncias contra si com acusações aos opositores, além de ser uma técnica pobre em criatividade e competência, mostra-se inócua e irritante.
Durante entrevista à Radio CBN o líder do PT na Câmara, Henrique Fontoura - PT do Rio Grande do Sul - após ser argüido a respeito das investigações que a Polícia Federal procedia no caso “Francenildo”, declarou haver encaminhado ao Ministério Público um pedido de investigação da denúncia veiculada pelo jornal “Folha de São Paulo”, a propósito de favorecimentos com verbas publicitárias da “Nossa Caixa”, através dos quais, o governador de São Paulo obteria apoio de alguns deputados.
Primeiramente é de se perguntar:
• Se Geraldo Alckmin não fosse declarado há poucos dias o candidato do PSDB à presidência nas próximas eleições, estaria sendo denunciado e investigado pelo PT?
• Por outro lado, o PT não tem representação na Assembléia Legislativa de São Paulo?
Pelo que sei, os deputados federais representam os cidadãos do estado pelo qual são eleitos, enquanto os senadores respondem pelos interesses do estado da federação em que se elegeram.
• Ainda assim, sua excelência faz uso de suas prerrogativas de parlamentar gaúcho, para defender interesses dos cidadãos paulistas, ou em última instância, do estado de São Paulo? Que nobreza não? Ou será perda de foco? Ora, haja paciência!!!
Eufêmico, Delúbio Soares codnomina “Caixa 2” como “Recursos Não Contabilizados”. Mas é claro, pois crime contra a ordem tributária nacional para o PT é apenas uma prática comum de outros partidos, há muitos anos. Tenta grosseiramente insinuar que “tem o mesmo direito à pratica de feitos delituosos posto que outros já o fizeram”. Como adjetivar tal comportamento? Ridículo? Acintoso? Abjeto? ...?
Parlamentares que se locupletaram dos dinheiros “não contabilizados” fluídos por Marcos Valério e pela patranha engendrada na formação da base parlamentar do governo, escafedem-se das penas cabíveis, tanto no âmbito parlamentar, quanto no da justiça comum, se valendo de terceiros de duvidosa boa fé, quando não das próprias esposas. Após encenarem suas pantomimas comemoram o logro ao ritmo da insidiosa dança míope de Ângela Guadagnin, que insiste em pedir vistas daquilo que somente ela não enxerga. Ah sim, é regimental pedir vistas!!! Engraçado, usam tudo o que for regrado a seu favor e usurpam qualquer lei que se interponha aos seus interesses. Dialética conveniente, casuística e vil.
Aliás, o discurso petista, senão anacrônico, é no mínimo patético. Catilinária instilada pela conveniente abstinência de autoridade do Presidente da República, evidenciada no alegado desconhecimento de fatos tornados públicos, reitera uma prática que seria comparável às bravatas infantis como “meu pai é mais rico que o seu”; “minha mãe é mais bonita que a sua”. Nele o Brasil é tratado como “este país”, como fosse um “fulano” ou “sicrano” qualquer.
Ideli Salvatti, senadora por Santa Catarina, alçada à condição de líder do PT no Senado, persiste no tom da insinuação e não perde oportunidade para se dirigir à oposição com cinismo arrogante, deselegante, anti-regimental e obtuso. Para sua Excelência “o conjunto de políticas públicas levado a efeito pelo Partido dos Trabalhadores neste país” é inédito. Com efeito, o Presidente Lula e seu amado PT são os verdadeiros “descobridores” “deste país”, já que tudo o que se vê hoje jamais ocorreu ou foi visto anteriormente “neste país”.
Assistencialismo paternalista é apelidado de programa social. Cooptar a opinião e, conseqüentemente, os votos de pessoas simples – bato na boca para não dizer simplórias - dando peixes ao invés de ensinar a pescar, confirma a intenção neo-escravocrata.
Um regime econômico calcado no capitalismo há que se arrepiar diante de tantas “bolsas e programas sociais disto ou daquilo”. Se por um lado o capitalismo é o sistema econômico mais eficiente na geração de renda, é também, inequivocamente, o mais ineficiente na distribuição da renda gerada. Por que?
Porque a igualdade de oportunidades que deve predominar no regime capitalista é responsabilidade das ações de governo financiadas pelos tributos. Diante de oportunidades iguais, caberá a cada um prover e provar seu sucesso. Então, os detentores do capital estarão sempre provocando os agentes econômicos com o objetivo da obtenção do maior lucro possível. A distribuição eqüitativa da renda será responsável pela mobilidade entre os estamentos sociais. Nascer pobre não deve ser condição para morrer pobre, tampouco nascer abastado é garantia de riqueza vitalícia. Competição e concorrência são pilares do mercado.
A deformidade se instala quando há uma tentativa vã em trocar papéis pré-supostamente definidos no regime capitalista. Por ser praticado sob a égide de um estado democrático, permitirá vozes opositoras nem sempre lúcidas das verdadeiras regras do jogo.
A principal delas, por sinal, é o papel dos governos e da classe política no desenvolvimento e prática de um conjunto de políticas que amplie constantemente o ingresso dos cidadãos nos alvos de consumo. Um bom consumidor para chegar a auferir renda por meio de seu trabalho, requer um investimento expressivo e longevo, cujo início antecede ao próprio nascimento e nem sempre está ao alcance das famílias de origem.
Saúde preventiva, reparadora e curativa; saneamento básico; segurança, educação moral, social e cívica; instrução formadora, instrução profissionalizante, experiências em cultura autóctone e alóctone, entre outros, posicionam o cidadão no conjunto da sociedade, para que conheça, para que valorize suas prerrogativas e direitos. São requisitos sine qua non para a formação de um consumidor preparado e consciente. Assim, estará apto a exigir produtos e serviços compatíveis com seu conhecimento e com seu poder aquisitivo. Esta é a motriz que retroalimenta o regime capitalista: consumo consciente, ainda que supérfluo!
Consumo gera tributo, que canalizado nas ações de governo garantirá o incremento e renovação do mercado consumidor. Este, à medida que cresce, gera novas necessidades para que o reinvestimento de capitais crie produtos e serviços capazes de atendê-las.
Já é esgotado o tempo para que os oligárquicos petistas percebam que a ditadura do proletariado e a estatização dos meios de produção não harmonizam com os preceitos democráticos e muito menos com os cânones capitalistas. Não será através da subversão de conceitos e distorsão de princípios, invertendo a lógica maniqueísta ao atribuir a outrem aquilo que praticam, que irão prover o decantado bem do povo, povo esse que pensou ser por eles representado em seus interesses e que nas próximas eleições haverá de dizer com todas as letras como faria um autêntico gaúcho:
- “Bah PT. Deu pra ti...!”
O. A. Siqueira Jr.

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