segunda-feira, 9 de julho de 2007

PATERNALISMO & LIBERDADE [Parte II]

-Continua-


Outra afirmação frequente nas bocas de políticos: “a democracia é a garantia das liberdades e direitos individuais”.

Já vimos que liberdade é, entre outras, a “Faculdade de cada um se decidir ou agir segundo a própria determinação”. Por que, então, sou impedido de administrar os recursos compulsoriamente recolhidos em nome da minha previdência social? Sequer posso escolher quem o faça!

Ah! Deve ser pelo fato de eu ser analfabeto, ignorante, excluído, inapto, portanto, incompetente, logo, inimputável. Então, o Estado soberano e “Paizão” decide com quanto devo prover minha aposentadoria, estabelece os valores máximos e mínimos a serem pagos aos aposentados e, culminando na sua benevolência paterna, malversa e desvia os recursos, se arroga o direito de contingenciar reajustes e persiste no preceito infantil da indexação ao salário mínimo dos benefícios e pensões. Lembram-se de uma das acepções da palavra Paternalismo? “Dissimulação do excesso de autoritarismo sob forma de proteção.”

Afronta o caráter de imputabilidade que o Estado nos atribui, atentando contra a inteligência do cidadão comum, impedindo a sociedade de se valer de mecanismos eficientes para a gestão dos seus próprios recursos previdenciários.

O erro tem início no sistema previdenciário adotado, conhecido como “Sistema de Repartição Simples ou Socialista”. O próprio Estado reconhece, “é um pacto social entre gerações, em que os ativos financiam os inativos”, pois os que hoje trabalham contribuem para os que ontem trabalharam, ou sejam, os aposentados. Uma dívida compulsória entre gerações, muito mal administrada pelo gestor estatal.

Afinal, para que servem os filhos senão para sustentar os pais na velhice? Aos filhos não se pergunta e aos pais não lhes é dada opção, logo, permanecemos inimputáveis sob o manto da proteção autoritária do Estado. Que bela liberdade, não?

É evidente que o sistema adotado pressupõe um equilíbrio constante entre ativos e inativos. Se por um lado a geração de novos empregos e a manutenção dos existentes devem garantir o provento dos novos aposentados e pensionistas que ano-a-ano aumentam a exigência de caixa do sistema, é necessário controlar a longevidade das pessoas. Seria o caos se a longevidade aumentasse e os postos de trabalho diminuíssem. Mas, graças a Deus, não é o nosso caso... Visite o site http://www.mpas.gov.br/, acesse outras muitas piadinhas do gênero e lembre-se de avisar seu filho que as contas estarão por conta dele logo, logo. É tragicamente hilário!

Mantenhamos nossa inesgotável fé. Creiamos que a legislação trabalhista protecionista autoritária [salve, salve ...] que abunda em direitos do trabalhador e escasseia em obrigações, será alterada para um senso mais comum, privilegiando a geração de postos de trabalho, estimulando o investimento produtivo e pondo a ferros os custos e tributos que oneram e inibem a ambos. Do contrário, como poderá ser resgatada a dívida? Bem, podemos adotar, por mecanismo de lei, a institucionalização e prática da cultura esquimó. Levemos os mais velhos, inúteis e ineptos para a morte no gelo! Na eventual dificuldade de obter gelo, basta criar uma agência nacional para este nobre fim: a “ANGELO”. Que lindo slogan para a propaganda oficial da Previdência: “Transforme seu velho num anjo. Gelo nele!” E como assinatura: “Brasil, um país de “quase” todos!”

Enquanto isso, como somos todos iguais perante a Lei, a previdência do setor público, que produz aposentados que recebem vencimentos iguais aos dos funcionários que estão em atividade e têm seus empregos vitalícios amparados no direito adquirido do concurso público, continuará sendo financiada pelo lançamento de novos títulos da dívida pública [a dívida é de todos mas, os benefícios só deles] remunerando a juros “módicos” os investidores nacionais e internacionais. Depois somos obrigados a ouvir que os juros são elevados para inibir a inflação.

Esquecem-se os beócios que não havendo dívida não há taxa de juro que consiga se manter alta. Mas como pagar algo impagável? Menos emprego, menos previdência compulsória; mais direitos adquiridos, menos investimentos. Nem a inflação pode suportar um círculo tão perverso, pois, a renda diminuindo continuamente afeta mortalmente o poder de compra.

Que liberdade é esta que não me permite trocar direitos trabalhistas em favor de um posto de trabalho remunerado, ainda que sem direitos acessórios? Que liberdade é esta em que nem mesmo o meu futuro sustento eu posso administrar e tenho que confiar a gestores sem competência e de honestidade discutível?

Qual igualdade preconiza a Constituição? Aquela que permite a todos que respondam a processo civil ou criminal candidatarem-se a cargo eletivo, ou, aquela que impede todos os inadimplentes de conseguir uma vaga de emprego, impedindo-os de obter condições para saldarem suas dívidas?


O. A. Siqueira Jr.

domingo, 8 de julho de 2007

FRASES SOLTAS, ...PALAVRAS AO VENTO!

Terça-feira, 17 de julho de 2007. Fim de uma tarde chuvosa em São Paulo.


Uma aeronave AirBus A320 da TAM desliza em alta velocidade pela pista principal de Congonhas. Apesar dos esforços do seu comandante para freá-la, ultrapassa o limite da pista indo colidir contra um edifício da própria companhia situado na avenida que margeia o aeroporto. Explosão e combustão total.

Passageiros, tripulantes, funcionários e transeuntes somam cerca de 200 vítimas fatais. Números de tragédia, sentimento de comoção, perda e indignação. Após o fato, imprensa e autoridades perscrutam celeremente à busca de culpados.

À sociedade pouco importa quem haja sido culpado, visto que se houver algum, este será naturalmente revelado pelas investigações ordinárias que têm lugar em acidentes aéreos. Falha humana? Mecânica? Sistêmica? Ou inclemente fatalidade?

Importa-nos as causas apenas para que, uma vez identificadas, não se repitam. Evitar que causas conhecidas ensejem outros episódios iguais àquele. A grande importância reside na percepção de que o acontecido transtorna, comove, magoa e, em alguns casos, modifica para sempre a vida de famílias, que tanto quanto os que perderam a vida, não têm qualquer alternativa a lhes acalentar o futuro. Os que aqui ficaram necessitam de apoio integral e generalizado.

Indenizar é preciso? Sim.

Informar é preciso? Sim.

Implantar medidas saneadoras das causas e fiscalizar o cumprimento delas é o mínimo aceitável, mas, não se esqueçam, imprensa e autoridades, que a perda de um ente querido é irreparável; não se substitui por dinheiro, homenagens ou tributos de solidariedade. É hora de refletir e silenciar. Assim se exprime um grito de dor coletiva.

Não é tempo de conquistar dividendos políticos, individuais ou de grupos, tampouco preservar posições de mercado lançando mão de oportunismos canhestros. Discussões, reivindicações, acusações e retaliações recíprocas terão seu tempo e lugar.


O. A. Siqueira Jr.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

INVESTIGAR NÃO É ACUSAR

Hoje um confronto, entre o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) e o presidente do Congresso Nacional, foi travado no plenário do Senado Federal. Lá pelas tantas, o senador Renan Calheiros (PMDB-Al) voltou à antiga cantilena da imputação de culpa por acusações infundadas.

Se possível for, gostaria de informar à Sua Excelência, o senador Renan Calheiros, que ao que eu saiba, não há acusação formal alguma contra sua pessoa. Há, isto sim, indícios que motivaram um pedido de investigação ainda não levada a termo. Logo, até que provas sejam produzidas, provas estas capazes de sustentar uma acusação ao menos, a dúvida que Sua Excelência insiste em bradar: “- Não sei até hoje do que estou sendo acusado.”, não será respondida.

O que nos causa espanto é que se não há acusação formal é porque pouco ou nada foi feito até agora com os indícios comprometedores dados a público. E, diga-se de passagem, por falta de vontade de muitos e a complascência de todos, destarte os brados de alguns que destilam indignação mas são profundamente discretos quando se lhes reclamam ações efetivas.

Dizia bem Chico Anysio pela boca de um de seus personagens: - “O que importa é o ‘puder’. O povo? Eu quero que o povo se exploda.”


O. A. Siqueira Jr.