Terça-feira, 17 de julho de 2007. Fim de uma tarde chuvosa em São Paulo.
Uma aeronave AirBus A320 da TAM desliza em alta velocidade pela pista principal de Congonhas. Apesar dos esforços do seu comandante para freá-la, ultrapassa o limite da pista indo colidir contra um edifício da própria companhia situado na avenida que margeia o aeroporto. Explosão e combustão total.
Passageiros, tripulantes, funcionários e transeuntes somam cerca de 200 vítimas fatais. Números de tragédia, sentimento de comoção, perda e indignação. Após o fato, imprensa e autoridades perscrutam celeremente à busca de culpados.
À sociedade pouco importa quem haja sido culpado, visto que se houver algum, este será naturalmente revelado pelas investigações ordinárias que têm lugar em acidentes aéreos. Falha humana? Mecânica? Sistêmica? Ou inclemente fatalidade?
Importa-nos as causas apenas para que, uma vez identificadas, não se repitam. Evitar que causas conhecidas ensejem outros episódios iguais àquele. A grande importância reside na percepção de que o acontecido transtorna, comove, magoa e, em alguns casos, modifica para sempre a vida de famílias, que tanto quanto os que perderam a vida, não têm qualquer alternativa a lhes acalentar o futuro. Os que aqui ficaram necessitam de apoio integral e generalizado.
Indenizar é preciso? Sim.
Informar é preciso? Sim.
Implantar medidas saneadoras das causas e fiscalizar o cumprimento delas é o mínimo aceitável, mas, não se esqueçam, imprensa e autoridades, que a perda de um ente querido é irreparável; não se substitui por dinheiro, homenagens ou tributos de solidariedade. É hora de refletir e silenciar. Assim se exprime um grito de dor coletiva.
Não é tempo de conquistar dividendos políticos, individuais ou de grupos, tampouco preservar posições de mercado lançando mão de oportunismos canhestros. Discussões, reivindicações, acusações e retaliações recíprocas terão seu tempo e lugar.
O. A. Siqueira Jr.

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