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sexta-feira, 7 de agosto de 2009

O QUE DIZER?

Quer saber a verdade?

Não sei o que dizer. Estou, no mínimo, aparvalhado, envergonhado e constrangido!

O que assisti ontem - 06.08.2009 - pela TV Senado, durante a sessão ordinária no plenário do Senado Federal, foi a encenação de uma tragicomédia. Uma chanchada que não está à altura daquelas memoráveis produzidas pela extinta Atlantida nos ‘50. Um dramalhão mexicano desprovido da mais rudimentar autocensura crítica. Um libelo panfletário (perdão pela redundância) bem ao estilo folhetim dos cordéis.

A que ponto se extenderá a vaidade humana?

Até onde alguns homens refutarão a existência de Deus e, por consequência, não sentirão por Ele qualquer respeito ou temor?

Qual o valor da pecúnia ou bem material, capaz de satisfazer a desmesurada ganância que se denuncia nos olhos dos proxenetas do oportunismo, dos aliciadores da cupidez ou dos capitães da barbárie?

Por acaso a desfaçatez, a incúria com o interesse público, o cinismo, a agressividade gratuita e outros adjetivos desse jaez são os que qualificam o Poder?

Será que foi apagada dos anais a máxima que ensina:

“Para ser respeitado, antes há que se respeitar”.

Não há de ser proferindo impropérios e injúrias contra os pares que serão assegurados direitos preconizados pela Constituição. Democracia não se parece, nem de longe, com intransigência e revanchismo, quanto mais, com falta de compostura e de boas maneiras. Aliás uma das maiores falácias que querem nos impor é que (e não de que como querem muitos) vivemos a plenitude de um Estado Democrático de Direito. Assim fosse e alguns mamparras, afeitos a compadrios e falsetas, não se elegeriam sequer como representantes de quarteirão nos bairros onde residem.

Cavaleiros da legalidade que a um tempo destilam vocábulos incompreensíveis aos menos doutos  como, hebdomadário, deblaterante, parlapatão, encenando uma falsa respiração abdominal que lhes evitaria a perda de controle, tanto do timbre vocal, quanto do gestual, no tempo seguinte retomam o nível chulo do baixo calão teatralizando o bizarro.

Suas Excelências, e não ressalvo exceções, acabaram por se transmutar em uma massa amorfa, de textura inconsistente, que vaza pelos vãos dos dedos de quem quiser sopesá-la. Os que se sentirem mal julgados pela afirmação que se afastem. Renunciem a seus mandatos e deixem a caterva sobrenadando o próprio vômito ácido e putrefato. Aqueles que não aceitam a carapuça que se lembrem:

“Quem não quiser ser confundido com ursos que não lhes vistam a pele”.

“Diga-me com quem andas e te direi quem és”.

Ontem a dado momento, um ocupante da tribuna em sua fala se referiu a uma “maoiria silenciosa”. Que maioria é esta? Quem presencia, por dever do mandato, e se cala diante da demonstração flagrante de destempero e impropriedade parlamentar, que há dias insulta o combalido Senado da República, ou é conivente ou dela tira proveito.

A quem pensam que enganam?

Não pensam. Algumas poucas camisetas adornando outras tantas cestas básicas, encimadas por cartões plásticos que “erradicam a miséria”, serão suficientes para os reconduzir a novos e recorrentes mandatos. Continuarão impunes aos desmandos e surrupios do erário público. Retornarão felizes e orgulhosos, aferrados ao poder menor do nepotismo para auferir vantagens, vencimentos e reembolsos obcenos.

O entorno de descalabros insustentáveis que cerca os Poderes da República, ao contrário do que afirmam alguns, levará sim a algum lugar. Levará à inação que precede o colapso e invariavelmente resulta na sucumbência total.

O Brasil vem se transformando num lagar onde fermenta o mosto da mentira, fruto do descaso e do personalismo que gangrena os poderes constituídos, erigidos com muito esforço por gerações passadas. Um vinho acre, de aroma nauseabundo, será brevemente servido em taças embaciadas de sal.

Antes fosse uma ameaça, uma bravata, ou até mesmo uma leviandade, porém, infelizmente, é uma cristalina constatação.


O. A. Siqueira Jr.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

UMA NOTA DIRIGIDA AO HOMEM PÚBLICO BRASILEIRO

A cada dia fico mais indignado, confuso e revoltado com a quantidade de denúncias envolvendo nomes ligados, direta e indiretamente, aos integrantes da classe política brasileira. Algumas revestidas de tal gravidade que, confesso, fico propenso a duvidar.

Uma epidemia de desordem e descaramento contaminou todos os poderes constituídos, nos três níveis de poder e nos respectivos departamentos. Autoritarismo verborrágico, desmandos e corrupção!

Não vou me ater a exemplos, pois, são tantos e de tal variedade que, ainda que ilustrassem, não seriam suficientes para dimensionar o exato grau de vilipêndio contra evidentes princípios de decência, honestidade, honradez, consciência democrática e espírito republicano. Ademais, são de domínio público os atos, fatos, valores, personagens e instituições envolvidos nos escândalos denunciados, dispensando citações específicas diante da generalidade flagrante.

As mentiras e falsidades proferidas nas declarações e pronunciamentos são constrangedoras. Não somente pela fragilidade de argumentação, como pela indiferença estampada nos rostos e serenidade nas vozes de quem as profere. Tenho a impressão que logo após o escárnio, seus autores tem dificuldades para conter as gargalhadas. Um estelionato intelectual aditado ao pecuniário e ao patrimonial.

É tão evidente a falta de decoro que a existência de Comissões de Ética é dispensável, mesmo porque não cumprem seu desiderato, ao contrário, seus membros se aliam nos compadrios sob o falso manto da legalidade regimental. Ora, um regimento que prescreve o tratamento de “Vossa Excelência”, portanto, segunda pessoa do plural, quando o correto seria “Sua Excelência”, terceira pessoa do singular, tempo verbal utilizado tanto nos debates entre os parlamentares, quanto em seus discursos e pronunciamentos. Uma prosopopéia burlesca que bem ilustra a semialfabetização de tantos detentores de mandatos eletivos.

A volubilidade ideológica é manifesta sempre e quando se viabilizam conluios que beneficiem os interesses inconfessáveis que premiam o oportunismo. Mudança de posição, de partido, fragilidade de caráter, ganância desmedida, não importa! O que vale mesmo é o quanto se aufere, seja em vantagens, cargos ou dinheiro em espécie. Dinheiro este, público, arrecadado por via de uma política fiscal desbalanceada, injusta, incongruente, obsoleta, inconsistente e indecente.

Se ve de tudo nos parlamentos brasileiros, desde alegorias capilares em ambos os sexos, trajes inapropriados, descura com a aparência física, desconhecimento do idioma, falta de postura adequada no atendimento à midia, até o cabotinismo hilário de pretensos senhores da virtude. Como diz a sabedoria popular: “Se cercar é pasto, se cobrir é circo”

Triste realidade a do Brasil. E não é de hoje! Pior, será ainda por longo tempo, pois, já não se educam cidadãos como se fazia antes que sucessivas súcias se assenhoreassem do poder e, pelos interesses continuístas, sufocassem a formação de homens de bem. Não haverá reformas de base que destituam do poder os bandoleiros que dele se apossaram graças aos votos incautos dos ignorantes, que por desdita são a maioria esmagadora do povo. Pobre minoria “esmagada”.

Em 1973 Ronaldo Monteiro de Souza escreveu uma letra, Ivan Lins uma música e, ambas, deram origem à “Deixa Eu Dizer”. Um repto ao regime que amordaçava o Brasil. Neste mesmo '73 a cantora Claudia, com uma notável interpretação, incluiu-a no LP de mesmo nome. Leia a letra da música e você entenderá o que sinto ao escrever e...

...Por enquanto é só!



O. A. Siqueira Jr.