quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

MENSAGEM DE FIM DE ANO (2008)


INGENUIDADE

Eis o ingrediente que falta no tempêro do mundo atual. Uma pitada que fosse escreveria na partitura da ganância uma pausa abençoada. Ganância essa, que de tempos em tempos, rege as crises e guerras malsãs que estigmatizam a humanidade e sua história.

A cultura ocidental ancorada no capitalismo, criou um padrão de sucesso pasteurizado que submerge o indivíduo, desde os primeiros anos de vida, em um oceano de consumismo irrefletido, quase sempre fútil, mas, de maior valia para o círculo virtuoso da fortuna material. As dimensões do patrimônio econômico-financeiro são as coordenadas cartesianas que posicionam comparativamente o sucesso pessoal.

Se por um ângulo o consumo é indispensável à sobrevivência dos mercados, conseqüentemente, à do próprio sistema capitalista, por outro, as condições para que todos os atores acessem as mesmas oportunidades não se estabelecem. Cada um por si deve prover os meios de acesso à sociedade de consumo. A história recente mostra que poucos se valem de meios reconhecidamente lícitos.

Os valores humanitários estão abandonados; a Natureza vilipendiada. A luta insana do poder pelo poder, divide a humanidade em três estamentos torpes: os potentados, os miseráveis e os que caminham celeremente em direção à pobreza absoluta. Menos de 5% dos homens detêm mais de 50% da riqueza do mundo.

Bons tempos em que,  até à adolescência, se acreditava em Papai Noel, Cegonha, Fadinha do Dente e tantas outras fábulas. Os papéis nas famílias eram bem definidos. À mulher esposa cabiam os afazeres domésticos, entre tantos o de educar filhos. Ao homem esposo o provimento do Lar. Os mais velhos se dedicavam ao cultivo das tradições, dos bons usos e costumes. Aos filhos eram reservadas as brincadeiras e estrepolias nas horas que não se dedicavam aos estudos. A ingenuidade compunha a formação das pessoas como um valor de respeito. Não se desconfiava do semelhante por qualquer motivo de somenos. A palavra empenhada dispensava documentos e contratos. Respeito e consideração com o semelhante não eram atributos de boas maneiras, e sim, princípios de civilidade. Espiritualidade não se confundia com modismos de seitas e filosofias.

Talvez os anos pesem sobre minhas reflexões e me releguem à condição de alienado da realidade contemporânea. Porém, um sentimento não me falta, ao contrário, pulsa vibrante nas minhas carnes e incendeia meu espírito: esperança!

É esta esperança que me move a expressar, a você e a todos que ama, os mais sinceros votos de Saúde, Paz, Harmonia e Realizações no ano que se avizinha.


Feliz “2mil&9”


O. A. Siqueira Jr.

domingo, 28 de dezembro de 2008

PODE PARECER QUE É.

Pior, Capaz Que Seja!

As pessoas ao se sentirem ofendidas por palavras ou atos, reagem de diferentes maneiras em defesa da reputação e da dignidade eventualmente maculadas. Uns esbravejam inconformados, porém, sem contra-argumentos, se resumem às bravatas e aos impropérios. Outros, no entanto, ao invés de refutar as ofensas com base em argumentos sólidos, simplesmente as revidam com agressões ao ofensor, muitas vezes física. Finalmente, restam os que solicitam amparo da justiça no resgate de suas pretensas perdas morais.

¿Quantos haverá que, antes de reagirem, conheçam o significado exato de cada palavra proferida na ofensa ou entendam as premissas que originaram  o ato insidioso?

É fato que há palavras que definem com exatidão o modo de pensar e agir das pessoas, porém, ao se tornarem vulgares pelo uso, são tidas como ofensivas por quem com elas são qualificados. É o caso da palavra mentiroso, adjetivo ou substantivo, conforme o uso atribuído no contexto da expressão, via de regra empregada como ofensa a alguém como tal qualificado ou definido.

Uma consulta ao “Dicionário Aurélio - Século XXI” de autoria do célebre Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, nos revela três acepções enquanto adjetivo, uma enquanto substantivo e a citação de um paradoxo:

mentiroso (ô). [De mentira + oso]

Adjetivo

• 1. Que mente

• 2. Oposto à verdade; falso.

• 3. Que não é o que parece ser; enganoso.

Substantivo Masculino [Plural: mentirosos (ó)]

• 4. Aquele que mente

Mentiroso (História da Filosofia)

• 1. Paradoxo atribuído a Eubúlides de Mileto (Sé. IV a.C.), cuja forma mais simples é: se alguém afirma “eu minto”, e o que diz é verdade, a afirmação é falsa; e se o que diz é falso, a afirmação é verdadeira e, por isso, novamente falsa, etc. Pode-se concluir ou que uma asserção é o mesmo tempo verdadeira e falsa, ou continuar indefinidamente por recorrência ora a concluir que é falsa ora que é verdadeira.

Como se vê, caso alguém nos dirija a palavra mentiroso, antes de uma reação precipitada, devemos intelectar em qual acepção está aplicada. Primeiramente se como adjetivo, ou como substantivo, e por último, senão no conceito do Paradoxo de Eubúlides. Percebido o senso e o contexto, proceda-se então à reação cabida.

Como na maioria dos idiomas, existem na língua Portuguesa palavras que expressam coletividade. Caterva, súcia, corja são exemplos de substantivos coletivos e que, por sinal, são sinônimos entre si. Recorrendo novamente ao “Dicionário Aurélio - Século XXI”: caterva (é) [Do latim caterva]

Substantivo Feminino

• 1. Multidão de pessoas, animais ou coisas.

• 2. (Antigo) Multidão de Tropas

• 3. Súcia, malta, corja.

No plano dos adágios escolhemos três para destacar:

• 1. “As exceções confirmam as regras”.

• 2. “Quem não quiser passar por urso que não lhe vista a pele”.

• 3. “Diga-me com quem andas e te direi quem és”.

Como exercício de raciocínio tomemos o seguinte conjunto de afirmações retiradas dos significados:

• 3.1. Que não é o que parece ser, enganoso;

• 1.2. Multidão de pessoas, animais ou coisas;

• 1.3. As exceções confirmam as regras;

• 2.4. Quem não quiser passar por urso que não lhe vista a pele.

• 3.5. Diga-me com quem andas e te direi quem és.

É público, notório e de conhecimento geral que a classe política no Brasil é uma (• 1.2.) (• 3.1.). Embora (• 1.3.), (• 2.4.), pois, a verdade é que (• 3.5.).

Substituindo as referências obteremos a seguinte frase:

É público, notório e de conhecimento geral que a classe política no Brasil é uma multidão de pessoas que não são o que parecem ser, enganosas. Embora as exceções confirmem as regras, quem não quiser passar por urso que não lhe vista a pele, pois, a verdade é que diga-me com quem andas e te direi quem és.

Como reagiriam os membros da classe política se fossem qualificados como integrantes de uma CORJA DE MENTIROSOS ?

As reações seriam diversas, mas, à todas poderíamos responder:

- Ora, Excelência, convenhamos que as exceções confirmam as regras, mas quem não quiser passar por urso que não lhe vista a pele. Lembre-se Sua Excelência do adágio que afirma: diga-me com quem andas e te direi quem és !


O. A. Siqueira Jr.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

ATÉ QUE...

“Mas só eu? Cadê os outros? “Lembra-se desse bordão humorístico que o macaco Sócrates dizia em um dos quadros do “Planeta dos Homens”?

Após tomarem assento no poder, os “defensores da moral e dos bons costumes” mostraram a verdadeira face. Demonstram capacidades de, fingimento; descaramento; oportunismo; despudor; falta de ética e; vergonha, inéditas na história do país. O Brasil transformado em uma mistura de “Cruz-Credo com Deus-Me-Livre” assiste inerte e passivo à súcia que campeia solerte e impune por onde corredores haja. Os mamparreiros aparelham os meios para seus fins escusos - tenhamos plena convicção - afim de se perpetuarem no poder a qualquer custo.

A história nos ensina e adverte, cabe a nós reconhecermos, ou não, os sinais que intuem a realidade futura. O poder seduz e vicia, portanto, alternância é palavra vaga e obscura para quem nele se instala através do conforto do voto popular. A desculpa de representar a vontade do povo é a ladainha que teremos que ouvir até que...


O. A. Siqueira Jr.