Eis o ingrediente que falta no tempêro do mundo atual. Uma pitada que fosse escreveria na partitura da ganância uma pausa abençoada. Ganância essa, que de tempos em tempos, rege as crises e guerras malsãs que estigmatizam a humanidade e sua história.
A cultura ocidental ancorada no capitalismo, criou um padrão de sucesso pasteurizado que submerge o indivíduo, desde os primeiros anos de vida, em um oceano de consumismo irrefletido, quase sempre fútil, mas, de maior valia para o círculo virtuoso da fortuna material. As dimensões do patrimônio econômico-financeiro são as coordenadas cartesianas que posicionam comparativamente o sucesso pessoal.
Se por um ângulo o consumo é indispensável à sobrevivência dos mercados, conseqüentemente, à do próprio sistema capitalista, por outro, as condições para que todos os atores acessem as mesmas oportunidades não se estabelecem. Cada um por si deve prover os meios de acesso à sociedade de consumo. A história recente mostra que poucos se valem de meios reconhecidamente lícitos.
Os valores humanitários estão abandonados; a Natureza vilipendiada. A luta insana do poder pelo poder, divide a humanidade em três estamentos torpes: os potentados, os miseráveis e os que caminham celeremente em direção à pobreza absoluta. Menos de 5% dos homens detêm mais de 50% da riqueza do mundo.
Bons tempos em que, até à adolescência, se acreditava em Papai Noel, Cegonha, Fadinha do Dente e tantas outras fábulas. Os papéis nas famílias eram bem definidos. À mulher esposa cabiam os afazeres domésticos, entre tantos o de educar filhos. Ao homem esposo o provimento do Lar. Os mais velhos se dedicavam ao cultivo das tradições, dos bons usos e costumes. Aos filhos eram reservadas as brincadeiras e estrepolias nas horas que não se dedicavam aos estudos. A ingenuidade compunha a formação das pessoas como um valor de respeito. Não se desconfiava do semelhante por qualquer motivo de somenos. A palavra empenhada dispensava documentos e contratos. Respeito e consideração com o semelhante não eram atributos de boas maneiras, e sim, princípios de civilidade. Espiritualidade não se confundia com modismos de seitas e filosofias.
Talvez os anos pesem sobre minhas reflexões e me releguem à condição de alienado da realidade contemporânea. Porém, um sentimento não me falta, ao contrário, pulsa vibrante nas minhas carnes e incendeia meu espírito: esperança!
É esta esperança que me move a expressar, a você e a todos que ama, os mais sinceros votos de Saúde, Paz, Harmonia e Realizações no ano que se avizinha.
Feliz “2mil&9”
O. A. Siqueira Jr.

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