domingo, 28 de dezembro de 2008

PODE PARECER QUE É.

Pior, Capaz Que Seja!

As pessoas ao se sentirem ofendidas por palavras ou atos, reagem de diferentes maneiras em defesa da reputação e da dignidade eventualmente maculadas. Uns esbravejam inconformados, porém, sem contra-argumentos, se resumem às bravatas e aos impropérios. Outros, no entanto, ao invés de refutar as ofensas com base em argumentos sólidos, simplesmente as revidam com agressões ao ofensor, muitas vezes física. Finalmente, restam os que solicitam amparo da justiça no resgate de suas pretensas perdas morais.

¿Quantos haverá que, antes de reagirem, conheçam o significado exato de cada palavra proferida na ofensa ou entendam as premissas que originaram  o ato insidioso?

É fato que há palavras que definem com exatidão o modo de pensar e agir das pessoas, porém, ao se tornarem vulgares pelo uso, são tidas como ofensivas por quem com elas são qualificados. É o caso da palavra mentiroso, adjetivo ou substantivo, conforme o uso atribuído no contexto da expressão, via de regra empregada como ofensa a alguém como tal qualificado ou definido.

Uma consulta ao “Dicionário Aurélio - Século XXI” de autoria do célebre Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, nos revela três acepções enquanto adjetivo, uma enquanto substantivo e a citação de um paradoxo:

mentiroso (ô). [De mentira + oso]

Adjetivo

• 1. Que mente

• 2. Oposto à verdade; falso.

• 3. Que não é o que parece ser; enganoso.

Substantivo Masculino [Plural: mentirosos (ó)]

• 4. Aquele que mente

Mentiroso (História da Filosofia)

• 1. Paradoxo atribuído a Eubúlides de Mileto (Sé. IV a.C.), cuja forma mais simples é: se alguém afirma “eu minto”, e o que diz é verdade, a afirmação é falsa; e se o que diz é falso, a afirmação é verdadeira e, por isso, novamente falsa, etc. Pode-se concluir ou que uma asserção é o mesmo tempo verdadeira e falsa, ou continuar indefinidamente por recorrência ora a concluir que é falsa ora que é verdadeira.

Como se vê, caso alguém nos dirija a palavra mentiroso, antes de uma reação precipitada, devemos intelectar em qual acepção está aplicada. Primeiramente se como adjetivo, ou como substantivo, e por último, senão no conceito do Paradoxo de Eubúlides. Percebido o senso e o contexto, proceda-se então à reação cabida.

Como na maioria dos idiomas, existem na língua Portuguesa palavras que expressam coletividade. Caterva, súcia, corja são exemplos de substantivos coletivos e que, por sinal, são sinônimos entre si. Recorrendo novamente ao “Dicionário Aurélio - Século XXI”: caterva (é) [Do latim caterva]

Substantivo Feminino

• 1. Multidão de pessoas, animais ou coisas.

• 2. (Antigo) Multidão de Tropas

• 3. Súcia, malta, corja.

No plano dos adágios escolhemos três para destacar:

• 1. “As exceções confirmam as regras”.

• 2. “Quem não quiser passar por urso que não lhe vista a pele”.

• 3. “Diga-me com quem andas e te direi quem és”.

Como exercício de raciocínio tomemos o seguinte conjunto de afirmações retiradas dos significados:

• 3.1. Que não é o que parece ser, enganoso;

• 1.2. Multidão de pessoas, animais ou coisas;

• 1.3. As exceções confirmam as regras;

• 2.4. Quem não quiser passar por urso que não lhe vista a pele.

• 3.5. Diga-me com quem andas e te direi quem és.

É público, notório e de conhecimento geral que a classe política no Brasil é uma (• 1.2.) (• 3.1.). Embora (• 1.3.), (• 2.4.), pois, a verdade é que (• 3.5.).

Substituindo as referências obteremos a seguinte frase:

É público, notório e de conhecimento geral que a classe política no Brasil é uma multidão de pessoas que não são o que parecem ser, enganosas. Embora as exceções confirmem as regras, quem não quiser passar por urso que não lhe vista a pele, pois, a verdade é que diga-me com quem andas e te direi quem és.

Como reagiriam os membros da classe política se fossem qualificados como integrantes de uma CORJA DE MENTIROSOS ?

As reações seriam diversas, mas, à todas poderíamos responder:

- Ora, Excelência, convenhamos que as exceções confirmam as regras, mas quem não quiser passar por urso que não lhe vista a pele. Lembre-se Sua Excelência do adágio que afirma: diga-me com quem andas e te direi quem és !


O. A. Siqueira Jr.

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