A cada dia fico mais indignado, confuso e revoltado com a quantidade de denúncias envolvendo nomes ligados, direta e indiretamente, aos integrantes da classe política brasileira. Algumas revestidas de tal gravidade que, confesso, fico propenso a duvidar.
Uma epidemia de desordem e descaramento contaminou todos os poderes constituídos, nos três níveis de poder e nos respectivos departamentos. Autoritarismo verborrágico, desmandos e corrupção!
Não vou me ater a exemplos, pois, são tantos e de tal variedade que, ainda que ilustrassem, não seriam suficientes para dimensionar o exato grau de vilipêndio contra evidentes princípios de decência, honestidade, honradez, consciência democrática e espírito republicano. Ademais, são de domínio público os atos, fatos, valores, personagens e instituições envolvidos nos escândalos denunciados, dispensando citações específicas diante da generalidade flagrante.
As mentiras e falsidades proferidas nas declarações e pronunciamentos são constrangedoras. Não somente pela fragilidade de argumentação, como pela indiferença estampada nos rostos e serenidade nas vozes de quem as profere. Tenho a impressão que logo após o escárnio, seus autores tem dificuldades para conter as gargalhadas. Um estelionato intelectual aditado ao pecuniário e ao patrimonial.
É tão evidente a falta de decoro que a existência de Comissões de Ética é dispensável, mesmo porque não cumprem seu desiderato, ao contrário, seus membros se aliam nos compadrios sob o falso manto da legalidade regimental. Ora, um regimento que prescreve o tratamento de “Vossa Excelência”, portanto, segunda pessoa do plural, quando o correto seria “Sua Excelência”, terceira pessoa do singular, tempo verbal utilizado tanto nos debates entre os parlamentares, quanto em seus discursos e pronunciamentos. Uma prosopopéia burlesca que bem ilustra a semialfabetização de tantos detentores de mandatos eletivos.
A volubilidade ideológica é manifesta sempre e quando se viabilizam conluios que beneficiem os interesses inconfessáveis que premiam o oportunismo. Mudança de posição, de partido, fragilidade de caráter, ganância desmedida, não importa! O que vale mesmo é o quanto se aufere, seja em vantagens, cargos ou dinheiro em espécie. Dinheiro este, público, arrecadado por via de uma política fiscal desbalanceada, injusta, incongruente, obsoleta, inconsistente e indecente.
Se ve de tudo nos parlamentos brasileiros, desde alegorias capilares em ambos os sexos, trajes inapropriados, descura com a aparência física, desconhecimento do idioma, falta de postura adequada no atendimento à midia, até o cabotinismo hilário de pretensos senhores da virtude. Como diz a sabedoria popular: “Se cercar é pasto, se cobrir é circo”
Triste realidade a do Brasil. E não é de hoje! Pior, será ainda por longo tempo, pois, já não se educam cidadãos como se fazia antes que sucessivas súcias se assenhoreassem do poder e, pelos interesses continuístas, sufocassem a formação de homens de bem. Não haverá reformas de base que destituam do poder os bandoleiros que dele se apossaram graças aos votos incautos dos ignorantes, que por desdita são a maioria esmagadora do povo. Pobre minoria “esmagada”.
Em 1973 Ronaldo Monteiro de Souza escreveu uma letra, Ivan Lins uma música e, ambas, deram origem à “Deixa Eu Dizer”. Um repto ao regime que amordaçava o Brasil. Neste mesmo '73 a cantora Claudia, com uma notável interpretação, incluiu-a no LP de mesmo nome. Leia a letra da música e você entenderá o que sinto ao escrever e...
...Por enquanto é só!
O. A. Siqueira Jr.



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