terça-feira, 5 de setembro de 2006

CARTÃO DE NATAL (2005)


O tempo é inclemente, severo. Ao fluir implacável, entrelaça uma corrente de elos invisíveis que envolve e asfixia. É o singrar contínuo na direção de um só porto, não havendo vento ou calmaria que lhe altere o propósito ou lhe subtraia o norte.

Vez por outra, como por mágica, diminui seu frêmito. Disfarça-se na transparência da emoção e alerta o Homem de que é preciso sentir. Variar o cardápio insosso das reações triviais, irrefletidas.

Natal é uma dessas vezes, dentre outras, em que o tempo nos proporciona um descanso para que o sentimento possa aflorar. Um entreato que desperta o espírito da solidariedade, que estimula a consciência para a fraternidade.

Pena! Apenas um entreato. Esgota-se breve como o viço dos enfeites no alvorecer de Reis. Um átimo que se esvai enquanto alguns se empenham em dividir quase nada do muito que têm com poucos que não têm nada.

Sobrevivem as ambições materiais, as vaidades tolas e a descura do semelhante. Naufragam os desejos de Paz, os anseios de Prosperidade e os votos de Felicidade. A rotina logo se restabelece e torna a ser servido o surrado cardápio.

Alto lá! Tentemos para que desta vez seja diferente.

Natal é relativo a nascimento, não é? Nascimento é sinônimo de início, começo. Ora, então façamos deste, o Natal verdadeiro, ou seja, o que celebra um novo começo. O aviso do recomeço foi dado há mais de 2000 anos e até agora quem se deu conta?

É simples, tudo se resume em admitir um único princípio e praticar uma única convicção. Um só princípio: a complexidade inerente ao universo e às espécies advém da perfeição e somente Deus é a perfeição. Uma só convicção: sendo frutos da mesma cepa, ao preservar cada bago salvamos a integridade do cacho.

Ser e estar não são obras do acaso. Você espelha a perfeição porque faz parte dela. Entenda que os meios estão à sua disposição. Desfrute deles mas, zelosamente, atente em preservá-los. Cuide-se, mas não descuide dos demais frutos do cacho. Somos todos irmãos, filhos de um único Pai.


Feliz Natal


O. A. Siqueira Jr.

Um comentário:

Dimas disse...

Belo texto, Oswaldo! Um Ano Novo luminoso pra você.