Porque cansei.
Cansei de quê?
De tudo, principalmente da espécie humana, apesar de, pela vontade de Deus, eu fazer parte dela. Mas nem mesmo essa condição me impede de enxergar com muita clareza a torpeza que contaminou a raça.
Não sou um modelo de virtude que se arroga o direito de julgar seus semelhantes baseado em idéias e conceitos próprios, inspirados na vaidade, fato que revelaria uma vil pretensão de me mostrar melhor que outrem, seja pela forma de pensar, sentir, agir ou omitir. Não, apenas continuo fiel aos princípios que me foram transmitidos durante a vida, os quais, me garantiram aqueles que mos ensinaram, estariam acordes com os valores morais e éticos destinados a pautar as relações entre os homens.
Princípios que revelam sabedoria a despeito da simplicidade que os caracteriza, como por exemplo, “não mentir”. A mentira é antes de tudo - ou pelo menos deveria ser - um tormento para a consciência de quem mente, já que, é impossível mentir para si próprio. Dita a mentira há que se preocupar em sustentá-la eternamente, enquanto a verdade não requer explicações ou justificativas. No entanto, a mentira campeia pelo mundo afora, prometendo, enganando, difamando, desestabilizando, provocando, promovendo intriga, discórdia e revolta.
Não se apropriar indebitamente de algo que não lhe pertença de fato ou por direito. Em palavras mais simples: não roubar, não furtar. Não se valer de meios insidiosos para obter vantagem pecuniária ou de qualquer outra natureza. Eis um princípio dos mais comezinhos que sucumbiu à sanha de empresáros de diversos ramos da atividade humana e da classe política da maioria dos países. Um dito popular rege as relações econômicas e financeiras no mundo moderno: “Farinha pouca, meu pirão primeiro”.
Tratar seus semelhantes com civilidade e respeito, notadamente os mais velhos, de modo a não afetar o equilíbrio e a harmonia do convívio pacífico, a despeito de raça, cor, credo religioso, posição política, convicções pessoais ou outra variável de comportamento. Um princípio básico no capítulo das boas maneiras que foi abandonado e não mais consta do currículo escolar fundamental. Tratar alguém por “senhor” ou “senhora” perdeu o sentido entre os mais jovens e tornou-se piegas ou, como dizem eles, “não tem nada a haver”.
Controlar o tom da voz em locais públicos; preservar bens comunitários; zelar pela higiene; respeitar filas; obedecer normas, regulamentos e leis; conscientizar que a liberdade de qualquer indivíduo termina exatamente onde tem início a do seu concidadão, são outros princípos e valores humanitários relegados ao ostracismo.
Assiduidade às aulas, às jornadas de trabalho, respeito à autoridade, à hierarquia. Pontualidade nos compromissos, respeito e reverência à Natureza, desfrutando das benesses sem devastar os meios que as propiciam. Atualmente não passam de procedimentos com prazos de validade vencidos.
Essas são minhas breves constatações do desalinho a que nossa espécie se entregou. Não se trata de conflito de gerações, tampouco de inconformismo frente à evolução dos tempos, mas sim, de profunda tristeza provocada pela perda de esperança nos próceres, nos jovens - que terão em suas mãos os destinos da humanidade - e a incapacidade de reagir para alterar o status quo.
O. A. Siqueira Jr.

Um comentário:
Olá Junior, tudo bem?
Talvez você não se lembre de mim.
Estou escrevendo para te dar os parabéns pelo blog e te desejar boa sorte.
Abraço,
Vera (ex-som livre)
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